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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Não, já não amo mais os passarinhos

SONETO DO AMOR DEMAIS

Não, já não amo mais os passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.

Não amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.

Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada

E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O teu perfume, amada - em tuas cartas


Soneto a Katherine Mansfield

O teu perfume, amada - em tuas cartas
Renasce, azul... - são tuas mãos sentidas!
Relembro-as brancas, leves, fenecidas
Pendendo ao longo de corolas fartas.

Relembro-as, vou.. nas terras percorridas
Torno a aspirá-lo, aqui e ali desperto
Paro; e tão perto sinto-te, tão perto
Como se numa foram duas vidas.

Pranto, tão pouca dor! tanto quisera
Tanto rever-te, tanto!... e a primavera
Vem já tão próxima!... (Nunca te aprtas

Primavera, dos sonhos e das preces!)
E no perfume preso em tuas cartas
À primavera surges e esvaneces.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tu vens de longe; a pedra


Retrato de Maria Lúcia

Tu vens de longe; a pedra
suavizou seu tempo
para entalhar-te o rosto
ensimesmado e lento

Teu rosto como um templo
voltado ara o oriente
remoto como o nunca
eterno como o sempre

e que subitamente
se aclara e movimenta
como se a chuva e o vento

cedessem seu momento
a pura claridade
do sol do amor intenso


Fonte: http://br.geocities.com/edterranova/vinicius57.htm acesso em 26 ago. 2008.